segunda-feira, 2 de junho de 2008

Português - AB - 9°EF - 1ª etapa

Avaliação Bimestral de Português  - 9º do E.F. tarde
Professora: Tetê Macambira – 28 de março de 2008 – 1ª etapa
 
TEXTO:

XX
A DANÇA

(Voltaire)

Setoc devia ir para assuntos comerciais, à ilha de Serendib; mas o primeiro mês de seu casamento, que é, como se sabe, a lua de mel, não lhe permitia deixar a esposa, nem supor que jamais pudesse deixá-la: pediu a Zadig que fizesse a viagem em seu lugar. “Ai! — suspirava este. — Devo ainda colocar maior distância entre mim e a bela Astartéia?! Mas estou na obrigação de servir a meus benfeitores”. Assim disse, chorou e partiu.

Não demorou muito em Serendib sem que fosse considerado um homem extraordinário. Tornou-se árbitro. de todas as questões entre os negociantes, amigo dos sábios e conselheiro do pequeno número de pessoas que ouvem conselhos. O rei manifestou desejos de o ver e ouvir. Reconheceu logo o valor de Zadig; confiou na sua sabedoria e fez dele seu amigo. A familiaridade e estima do rei fizeram-no tremer. Dia e noite recordava os males que lhe haviam acarretado as boas graças de Moabdar. “Se agrado ao rei — pensava ele, não estarei perdido?” Não podia, contudo, furtar-se às gentilezas da Sua Majestade: pois cumpre confessar que Nabussan, rei de Serendib, filho de Nussanab, filho de Nabassun, filho de Sanbusná, era um dos melhores príncipes da Ásia e que, quando se lhe falava, tornava-se difícil deixar de amá-lo.

Esse bom príncipe era sempre louvado, enganado e roubado; esforçavam-se, à porfia, a ver quem mais lhe pilhava os tesouros. O recebedor geral da ilha de Serendib dava o exemplo, seguido fielmente pelos outros. O rei sabia-o: por várias vezes mudara de tesoureiro; mas não pudera mudar o costume estabelecido de dividir os proventos do rei em duas partes, a menor das quais cabia sempre à Sua Majestade, e a maior aos administradores.

O rei Nabussan confiou seus cuidados ao sábio Zadig.

— Tu que sabes tão belas coisas — disse-lhe ele, — não saberias encontrar-me um tesoureiro que não roube?

— Sem dúvida — respondeu Zadig. — Sei um meio infalível de conseguir-lhe um homem de mãos limpas.

O rei, encantado, perguntou-lhe, abraçando-o, como deveria proceder.

— É só fazer dançar todos aqueles que se candidatem à dignidade de tesoureiro, e aquele que dançar com mais leveza será infalivelmente o homem mais honrado.

— Estás zombando — disse o rei. — Eis um modo bastante esquisito de escolher um tesoureiro... Como? Julgas então que aquele que fizer melhor um entrechat será o financista mais probo e mais hábil?

— Não garanto que seja o mais hábil — retrucou Zadig, — mas asseguro que será indubitavelmente o mais honesto.

Falava Zadig com tamanha segurança que o rei o julgou possuidor de algum segredo sobrenatural para reconhecer os financistas.

— Não me agrada o sobrenatural — disse Zadig, — sempre detestei as pessoas e livros mágicos: se Vossa Majestade deixar-me fazer a prova que lhe proponho, há de convencer-se de que o meu segredo é a coisa mais simples e mais fácil deste mundo.

Nabussan, rei de Serendib, ficou muito mais espantado de ouvir que esse segredo era simples do que se lho houvessem apresentado como um milagre.

— Está bem — disse ele, — fase como bem entenderes.

— Deixe o caso comigo — tornou Zadig — e Vossa Majestade ganhará com essa experiência muito mais do que supõe.

No mesmo dia mandou afixar que todos os pretendentes ao cargo de recebedor-mor dos dinheiros de Sua Graciosa Majestade Nabussan, filho de Mussanab, deveriam apresentar-se, vestidos de seda leve, a 1a. da lua do crocodilo, na antecâmara do rei. Ali compareceram, em número de sessenta e quatro. Tinham reunido rabequistas num salão vizinho; tudo achava pronto para o bailado; mas a porta desse salão estava fechada, e, para ali entrar, era preciso passar por uma pequena galeria bastante escura. Um guarda vinha buscar e introduzir cada candidato, um após outro naquela passagem, onde o deixava sòzinho alguns minutos. O rei, que estava a par de tudo, expusera todos os seus tesouros na referida galeria. Depois que todos os pretendentes chegaram ao salão, Sua Majestade lhes ordenou que dançassem. Jamais se dançou tão pesadamente e com menos graça; tinham todos a cabeça baixa, o busto encolhido, as mãos coladas ao corpo. “Que velhacos!” — dizia Zadig em voz baixa. Um só dentre eles dançava com agilidade, de cabeça alta, olhar seguro, braços estendidos, corpo direito e jarretes firmes; “Ah! que homem honrado! que excelente homem!” — dizia Zadig. O rei abraçou aquele bom dançarino, proclamou-o tesoureiro, e todos os outros foram punidos e multados com a maior justiça do mundo: pois cada qual, durante o tempo em que estivera na galeria, atulhara os bolsos e mal podia andar. Muito vexado se sentiu o rei com a natureza humana pelo fato de haver, entre aqueles sessenta e quatro dançarimos, sessenta e três gatunos. A galeria escura foi chamada o corredor da tentação Se fosse na Pérsia, teriam empalado aqueles sessenta e três senhores; em outros países, formariam um tribunal de justiça que consumiria nas custas do processo o triplo do dinheiro roubado e que nada reporia nos cofres do rei; em outro reino, os sessenta e três se justificariam plenamente e fariam cair em descrédito aquele dançarino tão leviano: em Serendib, apenas foram condenados a aumentar o tesouro público, pois Nabussan era muito indulgente

Era também muito reconhecido: deu a Zadig uma quantia mais considerável do que qualquer tesoureiro jamais roubara a el-rei seu senhor. Zadig se utilizou da soma para enviar correios a Babilônia, que deviam informá-lo do destino de Astartéia. A voz tremeu-lhe ao dar essa ordem, o sangue lhe fluiu para o coração, seus olhos cobriram-se de trevas, a alma esteve a ponto de abandoná-lo. O mensageiro partiu, Zadig o viu embarcar; entrou no palácio, sem ver ninguém, como se estivesse em seu quarto, e pronunciando a palavra amor.

— Ah! o amor — disse o rei, — é precisamente do que trata; adivinhaste a minha pena. És um grande homem! Espero que me ensines a descobrir uma mulher acima de qualquer suspeita, como me fizeste encontrar um tesoureiro desinteressado.

Zadig, voltando a si, prometeu servi-lo no amor como em finanças, embora a coisa lhe parecesse ainda mais difícil.

PARTE I – INTYERPRETAÇÃO E FICHA DE LEITURA DOS PARADIDÁTICOS “HISTÓRIAS SOBRE ÉTICA” E “ A CORRENTE DA VIDA”

01.

PARTE II – GRAMÁTICA

08. Considere a seguinte resposta ( extraída do seguinte sítio da net: http://br.answers.yahoo.com/question) e responda á questão que se segue: (1 escore)

“Oração subordinada _____________ é a que em relação à oração principal equivale a um ______________; assim dizer: "Desejo que sejas feliz", donde "que sejas feliz" é a subordinada ____________; é o mesmo que dizer: "Desejo a tua felicidade, sendo "felicidade" o ____________. Note que nem sempre é possível tal substituição; no período "Vi que não podiam com ele" não podemos recorrer à substituição da subordinada ____________ pelo equivalente _______________, mas observe que essa subordinada funciona como objeto de "vi"; ora, como os objetos são constituídos de _____________, é claro que a oração que funciona como objeto é também ____________ .”

As lacunas podem ser preenchidas por uma mesma palavra, apenas alterando, de acordo com a necessidade, o gênero e o número.

Ø Que palavra completaria corretamente as lacunas acima?

09. Complete as frases utilizando o plural dos substantivos corretamente:

a. Dona Candoca faz uns ____________ deliciosos. (pé-de-moleque)
b João ficou com ____________ depois que sua namorada saiu com um amigo. (dor-de-cocovelo)
c. Não suporto os____________ da campainha. (trim-trim)
d. Gabriel tem olhos ____________. São lindos! (azul-claro)
e. Os ______________ estão custando uma nota preta. (guarda-roupa)
f. Com as _____________ podemos fazer chás e saladas muito refrescantes. (erva-doce)

10. O plural de terno azul-claro e terno verde-mar é:

a) ternos azuis-claros; ternos verdes-mares

b) ternos azuis-claros; ternos verde-mares

c) ternos azul-claro; ternos verde-mar

d) ternos azul-claros; ternos verde-mar

e) ternos azuis-claros; ternos verde-mar

11. Classifique a seguinte oração sublinhada:

Sem comentários:

Arquivo do blogue